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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Cais José Estelita.


No capítulo I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, Constituição Brasileira de 1988, no seu parágrafo XIII, afirma que “a propriedade atenderá a sua função Social”. 

Mas o que viria a ser essa tal de função Social? 
Aproveitando uma definição da sociologia, função social é a contribuição que um fenômeno provê a um sistema maior do que aquele ao qual o próprio fenômeno faz parte. 
Assim sendo, moradia, emprego, renda, mobilidade, segurança, educação e lazer são alguns elementos que podem compor a tal função social. 
Agora vamos entrar no assunto propriamente dito: O Cais José Estelita é uma área de armazéns da antiga RFFSA para granéis sólidos, Melaço e açúcar, que hoje é uma das áreas mais decadentes do Recife. 
Parte de sua finalidade foi anulada quando o extinto IAA, para dar maior agilidade no embarque de Açúcar, Álcool e Melaço, construiu no Porto do Recife o terminal açucareiro. No final da década de 1980 deixou de ter a função de armazenagem e passou a ser apenas o terminal de manutenção de trens e depósito de sucata de trilhos, dormentes, vagões e outras coisas da ferrovia. 
O local, também, um dia foi conhecido por “Raia do Cabanga”, pois ali aconteciam as provas de remo, onde as principais agremiações do Recife competiam. A falta de segurança e a decadência do remo em Pernambuco fizeram com que as provas deixassem de ser realizadas ali. 
Em 1993, o Jarbas Vasconcelos, prefeito, tentou dar utilidade aquela que era uma das vias de acesso a Zona Sul da cidade, fazendo a revitalização do cais, com a construção de uma passarela, com visual romântico e a pintura dos armazéns, transformando aquelas paredes abandonadas numa espécie de mosaico colorido. O local ficou tão bonito que passou a ser utilizado como fundo fotográfico para registros pré nupciais e de debutantes. No entanto, o abandono causado pela falta de utilidade prática e social, levou o local para um outros tipos de encontros. Passou a ser um local frequentado por marginais, prostituição, ponto de consumo de drogas. Em resumo: Um local a ser evitado. 
Quero reforçar uma ideia: O visual da bacia do Rio Jordão é um dos mais belos do Recife, principalmente ao por do sol. Mas, o casario é um horror!!!! 
A única coisa que nasce ali é mosquito da dengue. 
Atualmente um projeto de ocupação daquela área está causando muita polêmica, pela sua arrojada arquitetura e por ser encabeçada por um consórcio de empreiteira, e como todos sabem ser um grupo econômico forte é pecado. Em contraposição a um grupo que deseja que ali seja instalado um parque de convivência, a ser bancado por pelo poder público. 
Eu sou favorável a implantação do Projeto conhecido como Novo Recife e vou dizer porque. O principal problema daquela área se deve ao seu isolamento e o isolamento só será quebrado com a ocupação por pessoas, em moradia e/ou empresas que gerem emprego. Se as duas coisas puderem estar juntas, melhor ainda. 
No sentido contrário aos "Alfaville" da vida, há uma tendência mundial para construção de residências próxima dos centros das cidades, isso para driblar o problema de mobilidade e promover a redução no consumo de combustíveis, o que é bom para o ar das cidades e como as pessoas perdem menos tempo dentro dos transportes, passam a ter mais tempo para elas mesmas. 
A ocupação proposta para o José Estelita se assemelha ao que foi implantado em Puerto Madero, Buenos Ayres. Aquele local, que tinha muitas semelhanças com o nosso José Estelita, era uma área de antigos galpões portuários, economicamente decadente. Hoje é um dos melhores locais para um bom lazer, concentra um grande número de empregos e tem uma vida noturna fervilhante. 
Outra questão, que pra pra mim tem grande relevância, é a origem do dinheiro para a revitalização e seu destino. A máquina pública e lenta, cara a fadada a interferência de pessoas mal intencionadas. Quase todo mundo que conheço, reclama que os governos municipal, estadual e federal gastam dinheiro no local errado, deviam concentrar os recursos na educação, saúde e segurança, pois grandes obras é uma tentação pra corrupção. Essas mesmas pessoas são as que acham que a prefeitura e o estado deveriam fazer do Cais José Estelita um grande parque… 
Quando Jarbas inaugurou o José Estelita, em 1993, sobraram críticas de dinheiro mal usado, cabide de empregos, e a crítica mais interessante de todas: “A prefeitura deveria ter deixado que a iniciativa privada fizesse algo”. 
Hoje ao ver os protestos no local e o perfil dos “ativistas”, chego a achar engraçado. 
Espero um dia poder utilizar aquele local, que é um dos mais belos da cidade.

sábado, 9 de março de 2013

Transposição do São Francisco

Estive no sertão, por esses dias, e o cenário é de desolação. 
Animais mortos a beira da estrada ou nos cercados, vitimados pela seca, casas abandonadas por seus habitantes. O chão mais árido que de costume, onde nem o mato brado nasce, onde nem o mandacaru e a palma resistem. 
Vi também a tão prometida (sonhada pelos sertanejos) obra salvadora da transposição do Rio São Francisco, se esfarelar como os torrões de terra da área que ela deveria salvar.
  
Confesso que sou defensor dessa obra. Acredito que esse recurso, bem administrado, será, literalmente, a salvação da lavoura. Tenho conhecimento de projetos para implantação de fazendas de peixes e camarões de água doce, que além de aumentar a oferta de alimentos, gerarão emprego e renda, numa área onde emprego é tão raro quanto água. 

Contudo, o que vi me deixou apreensivo. A maneira como o projeto foi tocado me parece errada. A transposição vem sendo executada em blocos desconexos. Os cálculos da solução de engenharia, são feitos levando em consideração que canal trabalhará cheio. De outra forma, a dilatação das placas de concreto, impostas pelo calor, acarretará em quebra e fissuras, danificando-as em pouco tempo. 

Em alguns pontos, as obras aparentam abandono. Até os canteiros de obras parecem desativados. Mato pra todo lado, sem um operário na lida. As poucas máquinas que restam, quando ainda restam, estão sendo cobertas pelo mato seco. 

Dizem que os trechos foram escolhidos de acordo com a aproximação política do prefeito do município e dos interesses do governo federal, com fins eleitoreiros.


Se a solução adotada fosse a da construção em trechos contíguos, sequenciados a partir do Rio, com o canal sendo ativado a cada trecho pronto, parte de nossa tragédia humana seria amenizada. Porque se, segundo o Ministério da Integração Nacional, 40% das obras já estão prontas, teríamos a mesma proporção de área atendida pelas águas do Velho Chico, dando condição ao povo de plantar, colher e alimentar o gado.

Os especialistas do EMATER e do Ministério da Agricultura, preveem que, se as chuvas se regularizarem, levaremos de 6 a 10 anos para recompor a área plantada e os rebanhos da região.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Do discurso a prática

Tenho visto, em muitos dos lugares que vou, uma má interpretação de alguns conceitos da administração.
Por exemplo, as empresas que estão buscando a qualidade têm a mania de mudar o nome das coisas, mas não mudam a maneira de tratá-las. Empregado passou a ser colaborador ou associado. Contudo, continuam sendo tratados como empregadinhos semi-escravos.
Os gestores discursam valorizando o trabalho em equipe, mas continuam com a prática de premiar o melhor dos iguais.
Gastam rios de dinheiro com consultorias, mas não investem na qualificação de seu pessoal muito menos no ambiente de trabalho. A reforma é sempre nas salas da alta administração e na recepção para impressionar os visitantes. O refeitório (quando tem refeitório) continua escuro e com mesas mal conservadas. Os sanitários com problemas de vazamento dágua, sem toalhas de papel e sem papel higiênico.
A reengenharia por aqui não foi vista como uma forma de mapear os processos, medir os seus tempos e redistribuir funções e recursos. Aqui serviu apenas para diminuir a folha de pagamento e sem resolver os problemas de retrabalho, devio de função e desalinhamento de processo.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Deu no Jornal



A BBC Brasil informou, nesta quinta feira (9/9/2010), que o Brasil aparece em 58° lugar em uma lista sobre a competitividade econômica entre 139 países. Nesta avaliação o Brasil aparece duas duas posições abaixo de sua colocação em 2009. O seu melhor item de avaliação é o tamanho do mercado (10º no ranking) e os piores são os itens de ambiente macroeconômico (111º), que tem entre outros subitens a distribuição de renda e renda percapta, e eficiência do mercado de bens (114º), que avalia os custos de transporte e armazenamento, aproveitamento de matéria prima e controle de efluentes.
O Brasil é colocado pelo WEF no grupo de países com estágio intermediário de desenvolvimento, impulsionado pela eficiência.

O ranking atual é liderado pela Suíça, que manteve a posição do ano passado, seguida pela Suécia, que subiu duas posições, e por Cingapura, que manteve o terceiro posto. Os Estados Unidos caíram do segundo lugar em 2009 para o quarto lugar nesta avaliação. Entre os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ocupamos a penúltima posição. A economia chinesa é a que está em melhor posição, ocupando a 27ª colocação. A Índia aparece no 51º lugar, enquanto a Rússia manteve a 63ª posição.
Na América Latina, o Chile é o que tem a economia mais competitiva, segundo na 30ª posição global.
A organização avalia que a melhora da situação do Brasil nos últimos 20 anos, período em que subiu 16 posições no ranking, se deve aos esforços para alcançar a estabilidade econômica, a liberalização e a abertura da economia, além da redução da desigualdade, entre outras coisas.
Os itens avaliados pela WEF são divididos em três categorias:

  • Requisitos básicos, que inclui infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária);
  • Promotores da eficiência, que inclui educação secundária, treinamento, eficiência do mercado de bens, eficiência do mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, preparo tecnológico e o tamanho do mercado), e
  • Fatores de inovação e sofisticação, onde são avaliadas a sofisticação empresarial, inovação entre outros atributos.

Fonte: BBC- Brasil www.bbc.co.uk/portuguese. (Acessado em 9/9/2010)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Deu no Jornal (Diario On Line 27/11/09)

Uma vitória ambiental para o Recife.



Um avanço ambiental inegável para o Recife, mas cercado de informações conflitantes. É dessa forma que está sendo encarado, nos bastidores da política local, o episódio da aprovação por unanimidade do projeto de lei que proíbe a construção de uma usina de triagem e geração de energia através do lixo na área do Engenho Uchôa, na zona sul da cidade.
Ao mesmo tempo em que proíbe a instalação da usina pela PCR no local, o projeto de lei elaborado pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara não prevê a proibição de outros tipos de empreendimento ou edificação nessa região.
Contrariando o desejo do prefeito João da Costa (PT) de construir uma usina que solucione o problema dos resíduos sólidos em parte do terreno de reserva de mata atlântica, todos os vereadores, inclusive os governistas, votaram pela proibição da unidade na tarde da última quarta-feira.
O projeto seguirá para análise do prefeito, que terá duas opções: sancionar ou vetar a matéria, que, no segundo caso, seria novamente votada pela Câmara Municipal, desta vez em caráter definitivo.
A discussão ganhou contornos diferentes desde o último dia 19, quando um consórcio de empresas apresentou ao prefeito do Recife um projeto de construção de um grande complexo imobiliário, incluindo um estádio de futebol para 30 mil pessoas destinado ao Clube Náutico Capibaribe, além de um hotel e um conjunto residencial. Orçado em R$ 300 milhões, o projeto privado ficaria numa área de 140 hetares entre a BR-101 e a Avenida Recife, no bairro de Jardim Uchoa, num perímetro próximo ao terreno destinado à usina de lixo.
Transformado em Área de Preservação Ambiental (APA) desde 1996, o Engenho Uchôa tem 192 hectares e engloba 12 bairros no Recife, entre eles Jardim São Paulo, Ibura, Areias, Tejipió e Barro. A APA inclui uma reserva ecológica estadual, de 20 hectares, criada pela lei municipal nº 9.989 de 1987. Os critérios de preservação levam em conta a proteção do relevo, do solo, do sistema hidrográfico e do meio ambiente urbano. Por representarem propostas antagônicas, especula-se que os projetos da usina de lixo e do empreendimento imobiliário não poderiam coexistir.
Enquanto isso, moradores do entorno lutam para que a área verde seja preservada e rejeitam as duas propostas. O líder da bancada governista na Câmara, Josenildo Sinésio (PT), afirmou que o projeto só foi aprovado por unanimidade porque a bancada governista estava concentrada na aprovação de outras três matérias prioritárias na mesma sessão. "Isso ainda envolverá muita discussão, mas eu tenho a impressão de que o prefeito veta essa proposta. Se o prefeito vetar, a bancada (governista) seguirá o veto dele", garantiu o petista, que também votou a favor do projeto de lei proibindo a usina.
Integrante da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o vereador da oposição Daniel Coelho (PV) preferiu ressaltar os danos ambientais que, segundo ele, a construção da usina de lixo causaria. "Essa aprovação vem num momento bastante simbólico". Integrado pelas empresas Lusoarenas, Camargo Correia, Patrimonial Investimentos e Conic Souza Filho, o consórcio privado que pretende construir o estádio do Náutico promete "reestruturar, reabilitar e requalificar uma área total de 140 hectares localizada no bairro do Jardim Uchoa".
A Prefeitura do Recife informou que só vai se pronunciar sobre o assunto quando receber o projeto.

A reservaEngenho Uchôa em números:
- Tem 192 hectares de área.
- Integra 12 bairros do Recife.
- Foi transformado em Área de Proteção Ambiental (APA) em 1996.
- A APA inclui uma reserva ecológica estadual de 20 hectares criada em 1987.
- Há 270 mil pessoas morando no entorno da mata do engenho.


Repoortagem de André Duarte para o Diário de Pernambuco On line.

domingo, 25 de outubro de 2009

Matriz Energética Brasileira: Da crise a esperança


Esta semana encontrei um livro que me deu muito prazer em ler.: “Matriz Energética Brasileira: da crise a grande esperança”, de João Alves Filho.
Neste livro, o autor faz uma análise do sistema energético brasileiro. Descreve o desenvolvimento da nossa matriz energética, com riqueza de detalhes, desde os tempos do Brasil Imperio até 2003. Analisa as razões e a força da implementação do sistema hidroenergético e as incursões passadas em fontes de energia renovável como o biodiesel, pro-alcool, biomassa, entre outras e as novas tecnologias para produção de energia eólica, solar, nuclear e até dos movimentos da ondas do mar.

Um dos pontos que mais me chamou a atenção foi o programa de biodigestores para obtenção de gás a partir da decomposição de materia orgânica. No final da década de 70, e durante parte da década de 80, universidades e órgãos do governo pesquisaram e desenvolveram modelos de biodigestores adequados a pequenos produtores rurais com a finalidade de produzir energia em locais onde as redes elétrica não alcançavam.
O gás produzido poderia fazer funcionar fogões e fornos, motores de geradores elétricos, máquinas, aquecedores e, até, tratores.
Ao final obtinham como subproduto (mas nem por isso menos importante) um adubo orgânico de excelente qualidade a um custo irrisório.
As atuais pesquisas atestam que o gas metano produzido pela fermentação de materia orgânica é um dos dos responsáveis do aquecimetno global e a única maneira de eliminar seus efeitos nocivos é faer a sua queima total.
Então, a ideia de se valer do gas dos biodigestores para movimentar motores, maquinas e aquecedores antecipava o que se prega hoje para o tratamento adequado de resíduos e o reaproveitamento de material.
O autor faz um paralelo com o que acontece na china, onde os biodigestores são responsáveis pela geração de energia da maior parte das comunidades rurais daquele país e aponta que o Brasil andou na contramão com o incentivo a energia gerada pelas hidroelétricas e termoelétricas (que absurdamente consomem combustíveis fosseis), matando esse programa e suas pesquisas de desenvolvimento.
Nas grandes áreas metropolitanas do país, o lixo é um dos maiores problemas, tanto pelo volume quanto pela degradação, jaá que não há um tratamento adequando para esses resíduos tóxicos.
O aproveitamento de matéria orgânica para produção de gás metano em larga escala, para utilização na cogeração de energia, para movimentar o transporte publico de passageiros ou ainda para alimentar os fornos das industrias, é uma solução que vem sendo estudada e implantada com resultados promissores fora do Brasil. Mas, aqui mesmo já há bons exemplos de reaproveitamento do lixo.