quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Cesto de roupa suja

Foi assim com aqueles que se autodenominam “conservadores”, historicamente defensores de bandeiras como o endurecimento das penas, a redução da maioridade penal e o fim de supostos privilégios para condenados. Bastou, porém, que seus próprios “líderes” fossem alcançados pela Justiça para que operassem uma guinada completa, de 180 graus.

De repente, expressões como “isso é injusto”, “não é proporcional” e “onde ficam os direitos humanos?” passaram a ser proferidas com olhos arregalados e veias saltadas no pescoço — justamente por aqueles que, até ontem, desprezavam qualquer debate sobre garantias legais.

Ao proporem uma lei para reduzir penas, admitiram, ainda que de forma implícita, a existência dos crimes cometidos na tentativa de se perpetuar no poder. O mesmo se observa ao restringirem essa possível redução aos atos praticados estritamente em 8 de janeiro. Reconhecem, assim, uma série de condutas graves: a tentativa de obstrução do voto por meio de bloqueios em estradas; o planejamento de atentados contra autoridades constituídas; a organização de acampamentos com o objetivo de pressionar as Forças Armadas a aderirem a um golpe; e a criação deliberada de um cenário de caos em Brasília para forçar uma intervenção.

Como se não bastasse, houve ainda a tentativa de mobilizar agentes externos, buscando induzir sanções internacionais contra o Brasil, com potenciais prejuízos ao próprio país — numa lógica que, em suas próprias palavras, admitia até um cenário de “terra arrasada”. Agora, no entanto, assumem a posição de vítimas e clamam por direitos que antes rejeitavam.

Historicamente, o Brasil já enfrentou diversas tentativas de golpe de Estado, muitas das quais ficaram sem a devida responsabilização. Essa ausência de consequências contribuiu para a recorrência dessas investidas ao longo do tempo.

O momento atual, portanto, se destaca por representar uma rara situação em que atos dessa natureza são efetivamente levados à Justiça. Ver esse processo ser relativizado ou enfraquecido levanta um alerta importante sobre os rumos institucionais do país.

No fim, mais do que um embate de narrativas, trata-se de um teste essencial: a lei vale para todos ou apenas para alguns?

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Centrão - o bloco do quanto pior melhor.

Não é de hoje, o chamado centrão do Congresso Nacional tem dado demonstrações claras de sua verdadeira vocação: a de atuar como um bloco de poder que, sob o pretexto de enfraquecer o governo Lula, acaba por ferir diretamente os interesses do povo brasileiro. Com movimentos calculados e articulações que muitas vezes desprezam o debate de mérito, esse agrupamento político vem impondo derrotas ao Executivo em pautas que repercutem muito além da esfera partidária — atingem a vida cotidiana da população.

Com muita falácia e discursos impregnados de ódio, centrão aposta em desgastar o governo federal, mas a fatura não recai sobre o presidente. Ela chega à mesa das famílias brasileiras na forma de retrocessos sociais, bloqueios orçamentários e entraves a políticas públicas essenciais. Ao mirar em Lula, acerta no cidadão comum, especialmente aquele que depende das redes de proteção do Estado para garantir  dignidade e oportunidades mínimas a subsistência.

A lógica é simples e cruel: quanto pior para o governo, melhor para a barganha política do centrão. Mas essa equação cobra um preço alto. Programas de saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento regional são postos em risco, não porque faltem recursos ou projetos, mas porque o jogo de poder exige moedas de troca. O interesse coletivo se perde em meio a negociações que priorizam cargos, emendas e privilégios.

Em um país tão desigual como o Brasil, esse tipo de atuação não é apenas uma manobra política: é uma forma de violência institucional contra a sociedade. Ao colocar seus cálculos eleitorais acima das necessidades do povo, o centrão reitera sua face mais conhecida — a de um grupo que não governa, mas manda, e que, em vez de construir soluções, escolhe transformar direitos em mercadoria de balcão.

No fim, o alvo declarado é Lula. O atingido real, porém, é o Brasil.