“Uma ideia nasce da colisão entre experiências vividas, fatos e palpites próprios e alheios.” (Steven Johnson)
Por isso, elas não surgem a todo momento.
O Spray de Ideias surgiu da necessidade de registrar temas que eu estudava e gostaria de discutir. Não queria que ficassem apenas na minha cabeça.
Com o passar do tempo, passei a colocar nele coisas que me inspiravam: provérbios, comportamento humano, política e reflexões sobre a vida.
Mas, com o tempo, ficou difícil manter a rotina. As publicações foram rareando, e fui perdendo o foco e a constância.
Mais recentemente, percebi que toda história de vida deixa marcas. Então, comecei a escrever sobre aquilo que me tocava.
Assim, o Spray de Ideias deixou de ser apenas um lugar onde falo sobre acontecimentos e se tornou um lugar onde revisito aquilo que os acontecimentos fizeram comigo.
Hoje, o passado é um tanto etéreo na nossa cabeça. Fica na estreita linha que separa a realidade do sonho, e as histórias, quando não são contadas, acabam morrendo.
Quando olhamos para trás, já não encontramos exatamente aquilo que aconteceu. Encontramos aquilo que restou em nós do que aconteceu.
Algumas lembranças permanecem nítidas. Outras vão perdendo contornos, dimensão e cor, misturando-se com sentimentos, interpretações, imaginação e até com aquilo que gostaríamos que tivesse acontecido.
Talvez por isso as pessoas do nosso passado permaneçam tão presentes. Elas já não estão lá, em carne e osso, mas continuam em nós, nas lembranças.
E talvez seja justamente nesse lugar indefinido que moram algumas das pessoas e histórias que ainda vivem dentro da gente.
Este blog nasceu com um propósito: jogar no mundo a maneira como eu vejo as coisas.
Por isso, ele sempre teve um pé na rua, nos muros grafitados, na vida concreta. Como numa exposição de fotografias, onde cada imagem revela o mundo através da retina de quem a observa, mas também dos valores que carrega.
Hoje, o blog renasce como um livreto de pequenas crônicas, um caderno de poesias ou uma conversa numa mesa de café.
Tudo alinhavado pelas lembranças e pelos sentimentos.
É o presente olhando para o passado,sem saber exatamente onde termina a lembrança e começa o sonho.
Uma ideia, quando nasce, é quase uma imagem desfocada e incompleta. Vem acompanhada de sensações, expectativas, lembranças, pessoas, lugares, cheiros, vozes...
Depois, ao escrever, vamos revelando seus contornos e dando novos limites.
Algumas partes ficam nítidas; outras permanecem na penumbra.
E o interessante é que, com o tempo, a própria imagem muda.
Uma lembrança que hoje enxergamos de determinada maneira talvez, daqui a dez anos, tenha outra luz, outras cores, outros significados. .
Não necessariamente porque a realidade mudou, mas porque nós é que mudamos e passamos a vivê-la de outra maneira
Mudei. E talvez tenha mudado o suficiente para, hoje, não concordar com algumas coisas que escrevi no passado. Mas não as apagaria. Elas pertencem ao homem que fui, que pensava daquela maneira e que, naquele momento, acreditava no que escrevia.
Apagar seria apagar também uma parte da minha trajetória. Prefiro deixá-las ali, inclusive quando discordo de mim mesmo. Afinal, respeitar o contraditório também significa aceitar que, às vezes, o contraditório somos nós mesmos.
Talvez o Spray de Ideias seja simplesmente isso:
Um lugar onde o passado deixou algumas marcas, o presente continua escrevendo e o futuro ainda não sabe que histórias encontrará por aqui.










