Se alguém dissesse que surgiria um atacante de quase dois metros de altura, forte como um touro, rápido como um velocista e que pisaria na área apenas para fazer gols, muitos responderiam: Esse é Haaland...
Hoje esse jogador existe. Nasceu na Noruega e atende pelo nome de Erling Haaland.
Muitos dirão, “não dá pra comparar, o futebol mudou muito”.
É claro que o futebol mudou. A preparação física evoluiu, os gramados melhoraram, a velocidade do jogo aumentou, a tecnologia de bolas, calçados e roupa. Mas há características que parecem ser imutáveis: colocar a alma da chuteira e acreditar no que parece inacreditável são exemplos.
Dadá e Haaland são centroavantes que não entram em campo apenas para participar do jogo; estão ali para perturbar a defesa, dividir toda jogada e disputar o jogo sem medo, com uma coragem insana.
Não são artistas da condução de bola, nem mestres da construção das jogadas, muito pelo contrário: “são pernas de pau”. Mas, quando a bola chega perto da área, eles aparecem como quem conhece um segredo que os zagueiros nunca conseguem descobrir.
Dadá dizia: "Não existe gol feio. Feio é não fazer gol."
Haaland aprendeu essa frase de forma intuitiva, e a leva às últimas consequências.
Os dois compartilham da mesma qualidade: ocupam os espaços certos antes que os adversário percebam, quando a defesa chega eles já são donos do espaço.
Também impressionam pelo jogo aéreo. Dadá foi considerado um dos maiores cabeceadores da história do futebol brasileiro.
“só tem três coisas que param no ar: helicóptero, beija flor e Dadá Maravilha”
Haaland faz da impulsão e do tempo de bola uma arma semelhante, embora acrescente uma velocidade incompatível com alguém de quase 1,95 metro.
Os dois compartilham da habilidade de fazer parecer simples aquilo que é extremamente difícil.
Para quem assiste, parece só um toque, um desvio, uma cabeçada, um empurrão para as redes. Mas chegar exatamente naquele lugar, naquele momento, é um talento que poucos possuem.
As diferenças existem. Haaland vem do futebol científico, da alimentação controlada, das estatísticas, GPS, biomecânica e análise de desempenho.
Dadá, por sua vez, era filho do improviso brasileiro. Muito daquilo que aprendeu veio da repetição, da tentativa e erro, da intuição e da irreverência que sempre carregou consigo.
Enquanto Haaland fala pouco e deixa os números responderem por ele, Dadá Maravilha inventou o marketing pessoal, fazendo das entrevistas um espetáculo à parte e provocação aos adversários e torcidas.
Foram dele a célebre provocação: "Não existe gol feio. Feio é não fazer gol." , "Só existem três poderes no mundo: Deus no céu, o Papa no Vaticano e Dadá na grande área."
Eu acredito que Haaland jamais diria isso, mas, quando entra na área, joga exatamente como alguém que acredita nessa frase.
Talvez a maior homenagem que se possa fazer a Dadá seja esta:
É uma pena que ele tenha nascido cinquenta anos atrás, pois com a preparação física moderna e toda a ciência do esporte disponível, teríamos o nosso próprio Haaland em campo.
Ou talvez alguém pense hoje como eu: "esse menino joga mesmo é como o Dadá Maravilha."
