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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

EP - 5 - HR — Um presente da vida

Cinema Falado

Mais uma História da Vida

EP- 5 - HR - Um presente da vida.

Entendo que a vida está o tempo todo nos dando presentes.

Os melhores são as pessoas que passam por nosso caminho. Algumas nos dão propósito, outras exemplos, e algumas nos deixam ensinamentos que carregamos para sempre.

Em 1995, fui trabalhar em uma empresa que me propunha um grande desafio.

Era preciso melhorar seus controles por meio de indicadores e sistemas informatizados. O problema é que o parque de equipamentos e a estrutura tecnológica eram bastante precários.

Era necessário um choque tecnológico.

Mas havia algo que eu ja sabia, mesmo antes de chegar ali: uma empresa não pode simplesmente parar até que tudo esteja pronto. Há fornecedores para pagar, serviços nas ruas, manutenção, salários...

Era preciso mudar sem deixar de caminhar. Trocar o pneu com o carro andando.

Foi nesse contexto que surgiu Hélio Ribeiro, um consultor independente, contratado para melhorar as rotinas de manutenção, propor inovações tecnológicas e aperfeiçoar processos.

Confesso que, no início, fiquei preocupado. Ele “alugava” muito o programador da empresa, e eu precisava daquele profissional para entender os sistemas existentes e desenhar os novos caminhos.

Mas não demorou para perceber que Hélio poderia ser muito mais do que um colega de trabalho.

Ele conhecia profundamente os sistemas de estoque, manutenção e compras. Conhecia seus gargalos e limitações. Mas, acima de tudo, conhecia as pessoas.

Hélio tinha a raca capacidade capacidade enxergar além do problema aparente. Percebia que muitas limitações não eram tecnológicas. Eram humanas.

Havia profissionais com enorme conhecimento empírico, que conheciam profundamente o que faziam, mas esbarravam nos medos, preconceitos e resistências às mudanças.

Cada setor parecia enxergar a própria importância com dificuldade de se perceber como parte de um todo. A empresa era, em muitos aspectos, um verdadeiro aquário de egos.

Hélio enxergava isso. E sabia mostrar por onde começar.

Sabia mudar processos sem fazer as pessoas se sentirem diminuídas, ameaçadas ou despojadas do poder que acreditavam ter.

Foi assim que descobri naquele consultor um grande parceiro para construirmos um Plano Diretor de Informática.

Um sertanejo, homem de família, que parecia viver em permanente estado de alegria. Era feliz com o que fazia e, principalmente, com a maneira como fazia.

Tinha uma vontade genuína de ajudar as pessoas a descobrirem novos caminhos.

Mas Hélio me deixou um ensinamento que ultrapassou todos os sistemas, processos e indicadores.

Um dia me disse:“Ninguém se decepciona com o outro. Se decepciona com a ideia que fez do outro.”

E completou, mais ou menos assim: “Então, não crie expectativas.”

Guardei aquilo. E, desde então, tento levar essa lição para a vida.

Não é fácil.

Mas a frase me ensinou muito sobre nossas decepções. Elas nem sempre nascem daquilo que as pessoas fizeram, mas daquilo que imaginamos que deveriam fazer.

No trabalho, fizemos uma verdadeira revolução tecnológica: Reduzimos os tempos de manutenção, melhoramos os processos de compra e passamos a oferecer à direção uma visão muito mais clara dos veículos e de toda a operação.

Em menos de dois anos, atingimos os objetivos que havíamos traçado. Saímos da idade da pedra lascada da informática para aparecer em revistas especializadas como uma das dez empresas que melhor utilizavam sistemas de informação na gestão dos negócios da área.

Mas, olhando para trás, percebo que o maior resultado daquele trabalho não foi tecnológico.

Foi humano.

Porque, no meio de sistemas, máquinas, processos e indicadores, encontrei um amigo que levo comigo até hoje.

A vida colocou Hélio no meu caminho quando eu precisava de um profissional e foi além: presenteou-me, sem que eu soubesse, com um amigo.

Talvez seja assim que a vida costuma nos presentear.

Às vezes, ela embrulha seus melhores presentes em situações que parecem apenas trabalho, obrigação ou desafio.

Só depois percebemos o que realmente recebemos.

Hélio foi um desses presentes.

E posso dizer, com gratidão, que muito do que conquistei naquele desafio só foi possível porque tive ao meu lado alguém que sabia muito de processos, mas que, acima de tudo, sabia muito de gente.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Em defesa dos Jornalistas


“Caro Jamildo, Os jornalistas amanheceram de luto hoje com esta decisão do STF de acabar com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Eu pergunto: quem vai indenizar os jovens que estão fazendo o curso de jornalismo em busca de uma vaga nesta profissão? ....
Terezinha Nunes
.”
Esta é a transcrição do início da carta que a deputada Terezinha Nunes enviou a Blog do Jamildo (
http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/index.php).
Chega ser estarrecedor o descaso dos destes ministros diante de uma profissão e dos investimentos de milhares de famílias brasileiras.
Para eles, os danos causados pela exercício irregular da profissão de jornalista não são danosos sociedade.
Mas, quais as conseqüências que uma informação errada, divulgada por um instrumento com credibilidade e alcance popular podem causar?
A argumentação, que serviu de base para extinguir exigência do diploma de jornalista, baseou-se tão somente na atividade dos comentaristas.
Os comentaristas têm espaço garantido nos nossos telejornais, para tecer observações sobre o cenário esportivo, econômico, político, gastronômico entre outros. Contudo, o seu saber não é suficiente pára a construção de uma matéria investigativa nem a condução de um meio de comunicação.
É verdade que muitos temem o poder da caneta. Já vimos os meios de comunicação elegerem deuses e demônios, tomando para si o título de bastião da opinião pública. E esse poder da imprensa de criar imagem positiva ou negativa na população, principalmente naqueles que têm menos capacidade de analisar os fatos, põe em pé os cabelos dos que detém o poder.
Confesso que não entendi os motivos que levaram os jornalistas e se manterem calados, a espera da sentença final, e não mobilizaram a opinião pública sobre os impactos desse julgamento.Por fim, devemos, todos nós, ficar em estado de alerta aos golpes que podemos sofrer no exercício de nossas atividades, posto que esse tipo de julgamento só nos faz ver o quanto as profissões brasileiras são fracas, com raras exceções.
André Maia
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A charge "macacos da sabedoria" foi colhida do Livro "Esta vida é um circo", de 1989, de autoria de Lailson Cavalcanti.